História

  • História da Ilha do Faial                                                                  Fonte: Camâra Municipal da Horta 

Imerso numa crise que remontava ao Século XIV (crise que, aliás, era não só portuguesa, mas europeia), debatendo-se no seu seio com forças sociais insatisfeitas, Portugal (beneficiando de uma conjuntura europeia e peninsular favoráveis) lançou-se naquilo que seria um dos seus mais notáveis contributos para a História Universal: a Expansão e os Descobrimentos.

Da desilusão do primeiro passo em direcção à desejada Ceuta, Portugal passou depois aos Arquipélagos da Madeira, primeiro, e dos Açores, depois.

De acordo com a leitura da Carta de Valsequa feita por Damião Peres, sete ilhas dos Açores foram achadas em 1427 por Diogo de Silves, marinheiro da Casa do Infante D. Henrique. Quanto às Flores e ao Corvo, foram descobertas mais tarde, em 1452, por Diogo de Teive.

Ao descobrimento do Arquipélago sucedeu-se o seu povoamento que só se intensificou na década de 1440 em S. Miguel e Santa Maria, começou na Terceira na década seguinte e no Faial na década de 60.

Os primeiros povoadores dos Açores foram Portugueses oriundos de vários locais do continente e alguns estrangeiros, nomeadamente Flamengos, que desempenharam papel importante no povoamento de algumas ilhas, principalmente do Faial, cujo nome da cidade da Horta terá ficado a dever-se a Joss van Huerter, primeiro povoador flamengo desta ilha.

Nesta, como em todas as outras ilhas, o início do povoamento foi penoso e difícil: as queimadas, o desbravamento do solo, o ensaio das primeiras culturas, a garantia das subsistências, o lançamento da organização social e política, ocuparam os povoadores na tarefa de conseguir condições mínimas de vida e de desenvolvimento económico.

Desde o início, a cultura do trigo assumiu-se como uma das mais importantes nos Açores e assim se manteve até ao século XVII. Introduzidas pelos Flamengos, a cultura de plantas tintureiras como o pastel e a urzela desempenhou também papel de relevo na economia insular dos primeiros tempos. Já no século XVIII e durante uma parte do século XIX assumiu papel económico de grande alcance a exportação da laranja e do vinho que, principalmente a primeira, trouxe aos Açores um período de grande prosperidade económica e desenvolvimento social entre os fins do século XVIII e a primeira metade do século XIX.

No contexto dos conturbados anos do início da experiência liberal portuguesa, quando decorria a guerra civil que acabaria por determinar o fim do absolutismo em Portugal, o Regente D. Pedro, em nome de sua filha a rainha D. Maria, “considerando a situação natural, povoação e circunstâncias, que concorrem na Vila da Horta, Ilha do Faial, e seus habitantes, que tem prestado eficazes e importantes serviços à causa da Legitimidade (…) e a mais decidida adesão à Sagrada Pessoa da Senhora D. Maria II, Minha Augusta Filha”, outorga a António José d’Ávila, mais tarde Duque d’Ávila e Bolama, o alvará que elevava a Vila da Horta a cidade, no dia 4 de Julho de 1833.

O prestígio de se constituir em cidade, conjugado com a circunstância de atravessar um período de prosperidade e desenvolvimento que exigiam novas condições de afirmação, criaram as condições para que se começasse a defender a construção de uma doca na Horta. Beneficiando de uma abrigada enseada natural, protegida a sul pelo Monte da Guia e pelo Monte Queimado e a norte pelo Monte da Espalamaca , melhorada com a construção de um pequeno cais em Santa Cruz, a Horta, no entanto, só vê iniciar-se a construção da sua doca no ano de 1876, tendo a sua conclusão ocorrido na primeira década de 1900. Com a construção da doca o porto da Horta tornou-se num dos mais abrigados do Arquipélago.

Entretanto, o declínio da cultura da laranja mergulhou os Açores, no último quartel do século XIX, numa grave crise económica que se procurou combater, por um lado, com a introdução de novas culturas e, por outro, com o desenvolvimento de outras actividades.

É neste contexto que se desenvolve no Faial uma outra actividade económica: a caça à baleia, por influência das baleeiras americanas que escalavam a Horta para recrutar tripulantes e abastecer-se. A caça à baleia, com altos e baixos, envolvendo mesmo alguns comerciantes locais, manteve-se na viragem do século, enchendo o porto da Horta de embarcações e animando o comércio local.

A transição do século XIX para o século XX trouxe ao Faial um novo e importante acontecimento: a instalação dos cabos submarinos, num processo liderado pela Inglaterra, mas que também trouxe à Horta companhias da Alemanha e dos Estados Unidos da América.

Os cabos submarinos, associados à comunicação telegráfica, significaram um grande avanço na rapidez e na generalização da informação e das notícias.ial um novo e importante acontecimento: a instalação dos cabos submarinos, num processo liderado pela Inglaterra, mas que também trouxe à Horta companhias da Alemanha e dos Estados Unidos da América.

Os funcionários estrangeiros das companhias que se estabeleceram na Horta, bem como os seus familiares, trouxeram grande animação, desenvolvimento e prosperidade a esta cidade, e a sua influência foi determinante no modo de ser cosmopolita e aberto dos faialenses.

Entretanto, eclodiu a Primeira Guerra Mundial. O Faial não foi atingido directamente por este conflito mundial e viu aumentar significativamente o movimento do seu porto, muito procurado pelos vapores que se vinham abastecer de carvão.

O pós-guerra reservou ao Faial (no contexto da importância estratégica que os Açores ganharam em resultado do primeiro conflito mundial e da entrada nele dos americanos) um papel de relevo como ponto de amaragem e de reabastecimento da navegação aérea entre a Europa e a América. Após os primeiros voos experimentais, o porto da Horta tornou-se, no final da década de 1930, um importante ponto intermédio de apoio à aviação comercial no Atlântico. Depois dos voos experimentais da Lufthansa, foi a Pan American em 1939 a estabelecer a primeira carreira regular de transporte de passageiros e correio através do Atlântico. Nesta altura, os países já contavam as armas e o expansionismo agressivo dos regimes nacionalistas e militaristas conduziu a Europa e o Mundo para a Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945.

O período da Guerra, apesar do estatuto neutral de Portugal, significou para o Faial a presença permanente de contingentes militares portugueses (no contexto da estratégia defensiva do país), bem como de embarcações estrangeiras (nomeadamente inglesas) de apoio ao teatro de operações militares do Atlântico.

Com o fim da Guerra, com o regresso dos muitos militares às suas terras de origem, o Faial voltou paulatinamente ao pacato quotidiano de uma comunidade pequena e distante.

E, pouco depois, o Faial perdeu a escala dos hidroaviões. Os novos aviões, com outras características e outros meios técnicos, trocaram o mar e o nosso porto pela pista do Aeroporto de Santa Maria. Só em Agosto de 1971, com a inauguração do Aeroporto da Horta, os aviões voltavam ao Faial, ligando-nos ao mundo e ao progresso. O funcionamento do Aeroporto, o apetrechamento do porto, a inauguração e entrada em funcionamento da Marina em 1986, e o despertar e a afirmação da indústria turística, foram arrancando o Faial da letargia dos anos sessenta e moldando as bases da sua feição actual.

Entretanto, o Faial havia voltado à ribalta nos finais da década de 50, com a entrada em actividade do vulcão dos Capelinhos. Alternando fases de aparente acalmia com fases de forte convulsão, explosões de grande violência, emissão de vapor e de cinzas e de correntes de lava, a actividade do vulcão prolongou-se pelos anos de 1957 e 1958, provocando avultados prejuízos nas freguesias do Capelo, Praia do Norte e Cedros e inutilizando muitos campos de cultivo, cobertos por cinzas e areias. As suas consequências fizeram-se sentir ainda no campo demográfico, com a autorização excepcional de emigração para os EUA em 1959 e 1960, e que esvaziou o Faial de quase 5 mil pessoas.

A revolução do 25 de Abril de 1974, a instalação do regime democrático em Portugal e a consagração da Autonomia nos Açores, alicerçada na existência de órgãos de governo próprio e no princípio do desenvolvimento harmonioso do Arquipélago, fez da ilha do Faial o centro do poder legislativo regional, sendo a cidade da Horta sede da Assembleia Legislativa Regional dos Açores.

Cidade-porto de acolhimento e abrigo, a Horta define-se pelo seu cosmopolitismo e pela sua abertura franca a quem nos visita. Desde sempre marcada pela presença estrangeira, local de passagem, ponto de encontro, abrigo seguro, terra de marinheiros, baleeiros e iatistas, a Horta em cinco séculos de História tem sido porto franco a todas as nacionalidades e os faialenses gente hospitaleira e amiga.